quinta-feira, 31 de julho de 2014

Viajantes: Urucu.


"Outro valioso produto da região é o urucu. Trata-se de conhecido colorante alaranjado, produzido pela árvore a que os botânicos chamam "Bixa orellana". Essa planta se desenvolve, de ordinário, da mesma forma e porte que o marmeleiro, produzindo cachos de flores vermelhas e brancas.
Seus princípios colorantes eram largamente usados pelos indígenas, na época do descobrimento. Com eles faziam diversas modalidades de pintura e costumavam às vezes pintar o rosto e o corpo". Daniel P. Kidder (1815-1891). Reminiscências de viagens e permanência no Brasil: Províncias do Norte. 1951, p. 180.
 
 
 Urucu ou Urucum. Flore pittoresque et médicale des Antilles..
 M. E. Descourtilz. Pintura de  J. Th. Descourtilz. (1821-1829).


quarta-feira, 30 de julho de 2014

Viajantes: Uma linda Magnólia!


"Uma vereda levou-me até dentro da floresta. Aí estava quieto e fresco. Pombas selvagens esvoaçavam dum lado para o outro; uma bela convolvulácea amarela floria uma lindíssima acantácea branca, de cálice encarnado, destacando-se, resplendente, na sombra das astrocárias, entre as bainhas de cujas folhas todo um exército de plantas - aróideas e fetos - parasitavam. Na orla da floresta banhada pelo sol, uma linda magnólia, cujos botões quase triangulares se abriam, correndo o risco de ser completamente envolvida por uma lorantácea parasita que a envolvera". Robert Avé-Lallemant (1812-1884). Viagem pelo norte do Brasil no ano de 1859. 1961, v. 2, p. 88.
 
 
 
Magnolia sp.
L´illustration horticole, v. 1, t. 37, 1854.


segunda-feira, 28 de julho de 2014

Amazônia Exótica: curiosidades da floresta - Arara


ARARA - s.f. Nome comum empregado para diversas espécies da família dos psitacídeos como a Arara-vermelha (Ara macao), a Aarara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus), Arara-canindé (Ara ararauna).
 
ETIMOLOGIA: Segundo Rodolfo Garcia, o nome é uma alusão ao canto dessa ave, podendo ser também derivação da palavra guira 'pássaro' + ara´ra 'grande' "pássaro grande". 
 
CURIOSIDADES/FOLCLORE: Na obra de Eurico Santos, o botânico F. C. Hoehne diz: "As belas araras e os policrômicos papagaios jamais teriam logrado alegrar as nossas plagas, se lhes faltassem as palmeiras.
É nos imensos buritizais que elas se alimentam e criam em bandos, aproveitando os troncos velhos para os ninhos, e a polpa para fornir o papo. [...].
Mas não só a grei das palmáceas produz frutos apreciados por essas aves, e nas regiões do norte, na Amazônia, o país das araras - araratuba - são numerosas as árvores que lhes proporcionam saborosos alimentos, entre elas o japacanim (Parkia oppositifolia), também chamada arara-tucupi, o jataí (Hymenaea courbaril), o muirajuçara e tantas outras, muitas das quais chamadas "comida de arara". [...].
A propósito de ninhos, sabe-se que em geral o fazem cavado no alto das palmeiras. Quando a ave se aninha, fica-lhe a longa e vistosa cauda para fora do ninho. [...]. Parece que, na realidade, algumas espécies cavam buracos no interior dos troncos de determinadas árvores e aí se aninham."
 
LITERATURA: Emílio A. Goeldi relata: "As araras mansas, que os primeiros descobridores do Novo Mundo viram nas mãos dos indígenas, em bandos, à maneira de pombos, tinham por certo modo se tornado animais domésticos, movendo-se livres por suas aldeias, e causaram não pequena impressão nos invasores, como sabemos por testemunhos coevos.
Entre os Tupinambás daqui era costume que o matador, que devia executar o prisioneiro de guerra com a maça, viesse todo coberto de penas de araras pregadas com icica ou resina de almécega; na cabeça trazia uma coroa de penas da cauda da mesma ave, chamada acancatara".
 
LENDA/HISTÓRIA:  A Arara e o Pica-pau
 
A Arara estava com frio e cansada e não tinha onde se abrigar e sem saber o que fazer, encontrou, por acaso, seu primo, o Pica-pau, num tronco de árvore, furando a madeira para tirar larvas de insetos, um dos alimentos preferidos dele.
Os dois conversaram e ela lhe contou o que estava acontecendo. Então, no dia seguinte, o Pica-pau, muito gentil, construiu pra ela uma morada onde ela poderia fazer seu ninho.
Feliz na nova casa a Arara disse ao primo:
-Estou muito contente e estou aqui graças a você, primo. Eu sei que você trabalhou muito para construir essa casa para mim. Então, como retribuição, eu lhe ofereço o meu topete vermelho.
O Pica-pau ficou contente e até hoje usa o ornamento que sua prima Arara lhe deu de lembrança. (FUNAI. 100kixit (Estórias) Tukano. 1983.).
 
 
 
 
 
Araras
Ilustração de Ernst Lohse.
Álbum de Aves Amazônicas de Emílio Goeldi. 1906.
 
 
 
 
 
 
 
Para saber mais
 







Você encontra nos seguintes locais:
 
Belém (PA)
 
Livraria Ernst Lohse  - Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi - Av. Magalhães Barata, 376.
 
Livraria da Fox -  Fox Vídeo - Travessa Dr. Moraes, 584.
 
Ná Figueiredo - Estação das Docas  - Boulevard Castilho França.
 
 
São Paulo (SP)
 
 
Livraria Cultura - www.livrariacultura.com.br
 
 
Curitiba (PR)
 
 
Livraria Alexandria - Travessa Nestor de Castro, 223 Loja 2 - Centro. Tel: (41)3027-4741.
 

 


domingo, 27 de julho de 2014

Viajantes: Ramos de orquídeas e beija-flores.


"Beija-flores de diversas espécies (especialmente uma variedade de rabo de tesoura) são numerosos e zunem num voo rápido de flor a flor, parando de repente para mergulhar seus bicos longos e finos nas corolas das convolvuláceas, tão calmamente como se estivessem pousados em um poleiro em vez de parados, imóveis em pleno ar pela ação extremamente rápida de suas asas. Sua plumagem brilhante brilha e cintila ao sol com raios faiscantes de cor como as cintilações de um diamante. [...]." James W. Wells (1841-?). Explorando três mil milhas através do Brasil. 1995. p. 196.
 
 
 
Ramos de orquídeas e beija-flores.
Pintura de Martin Johnson Heade (1819-1904).


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Nova seção no Blog: Amazônia Exótica: curiosidades da floresta.



Neste mês de julho meu blog completa um ano on-line.

Agradeço a todos que o visitaram e espero que tenham gostado de saber um pouco da história natural de nosso país e da Região Amazônica, onde resido. Esse tema é um dos meus prediletos, e por isso tento colocar posts bem expressivos sobre o assunto.

Como todos sabem, o blog olimpiareisresque.blogspot.com é dividido em seções e, a partir deste mês de aniversário, iniciarei uma nova seção intitulada Amazônia Exótica: curiosidades da floresta, onde serão relatados aspectos interessantes e curiosos sobre a flora e a fauna do Brasil, com ênfase na Amazônia, sempre com relatos de viajantes e naturalistas que por essa região passaram com suas expedições. Serão também descritas curiosidades e quase sempre, ao final, uma lenda ou uma história relacionada à espécie.

Como bibliotecária que sou e vinculada à Biblioteca Domingos Soares Ferreira Penna no Museu Paraense Emílio Goeldi, instituição das mais renomadas no país e no exterior, possuindo em seu acervo obras expressivas da história natural do Brasil e da Amazônia, faço com esses posts não só um levantamento bibliográfico como uma divulgação de uma dos mais fantásticos acervos bibliográficos da região.

 

Aproveitem a leitura!


Obrigada!


Olímpia Reis Resque
Bibliotecária  de Pesquisa.
MPEG/Coordenação de Informação e Documentação-CID
olimpiaresque@yahoo.com.br


 

domingo, 20 de julho de 2014

Viajantes: Uma ave de gênio lépido e atirado: O Bem-te-vi.


"Uma das aves que desde o primeiro dia nos impressionam pelo seu porte e provocam logo a atenção do amigo da natureza no Brasil é o Bem-te-vi. É um tipo garrulo, sacudido, e repara em tudo que se passa à volta, escarnece, insere em tudo seu comentário e sem modos ariscos, sabe arranjar-se próximo das habitações humanas soltas no meio da mata virgem. O ponto que escolhe de preferência para observatório é um galho livre, o topo de uma árvore, e dali aplica o bico para qualquer cascudo que aponte no caminho. Muito gracioso é o modo por que se porta quando se encontra com um bom amigo: então bate com as asas, arrepia propositalmente as penas do cocuruto, e não há findar estes alvoroços de amizade quando três ou quatro deles metem-se por uma conferência amigável. Com voz estridente repetem-se vezes sem conta a forma estereotipada de saudação, muito prolongada na última sílaba. E, para que não fique rouco de tanto gritar, aparelhou-o a alma mater dentre toda sua parentela, a que a ciência um belo dia emprestou o nome pouco lisonjeiro de Tyrannides, aparelhou-o de músculos fortíssimos na garganta, como ficou provado pelas investigações de Johannes Mueller, meritório zoólogo de Berlim.
Burmeister parece ter ficado aborrecido com esta ave, pois xinga o seu "grito de afinal não mais interessante, de por tantas vezes e por tantos modos repetido". Pessoalmente gosto muito do Bem-te-vi por seu gênio lépido e atirado, e muitas vezes foi-me agradável sua companhia, quando, à borda da mata, jazia no  capim à espera das coisas que podiam vir". Emílo A. Goeldi (1859-1917). Em: IHERING, R. von. As aves úteis: o tagarela Bem-te-vi. Chacaras e Quintaes, v. 19, n. 3, p. 194-195,1919.
 
 
Bem-te-vi ou Pitanguá (Pitangus sulphuratus)
Ilustração de J. Th. Descourtilz (?-1855).


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Viajantes: Variedade de formas, troncos, folhas e flores na floresta.


"Em lugar daquele modesto, pouco variado atavio das florestas europeias, desdobra-se aqui uma inefável variedade de formas de troncos, folhas e flores. Cada um desses colossos vegetais que buscam o céu difere do vizinho pela singularidade de suas formas, e aos pés de cada gigante cresce um emaranhado de arbustos verdejantes e moitas floridas, tudo entretecido numa fartura de cores, flores e folhas variegadas. Árvores e troncos estão guarnecidos duma imensa rede cujas malhas colossais são formadas pelo entrelaçamento de trepadeiras multiformes que pendem desde o seu ápice que não só cobrem a floresta, como parecem enredar também a alma do contemplador num inesperado encanto". Oscar Canstatt (1842-1912). O Brasil: terra e gente (1871). 2002, p. 46.
 
 
Tronco com flores e parasitas.
Ilustração de Margaret Mee (1909-1988). Flores da floresta amazônica. 2. ed. 2010.


terça-feira, 15 de julho de 2014

Viajantes: Passifloras.


"[...]. A floresta está muito mais rica em flores do que quando percorri pela primeira vez os seus pitorescos caminhos. As passifloras se mostram sobretudo abundantes. Há uma espécie delas cujo delicioso perfume lembra a do jasmim do Cabo; esconde-se na sombra mas é traída pelo seu perfume e, afastando-se os galhos, encontra-se na certa as suas grandes flores purpúreas e brancas, suas folhas espessas e seu caule escuro enroscando-se num tronco vizinho. Outra planta da mesma família parece antes atrair que evitar o olhar: tem uma cor vermelho vivo e as suas estrelas carmesins furam por assim dizer a folhagem densa da floresta. [...]". Luiz Agassiz (1807-1873); Elizabeth Cary Agassiz (1822-1907). Viagem ao Brasil 1865-1866. 1938, p. 425.
 
 
 
 
Passiflora watsoniana.
 L´illustration horticole. Gand, 1889.


sábado, 12 de julho de 2014

Viajantes: A vegetação no clima tropical.


"[...]. Nos climas tropicais, raro é verem-se duas ou três árvores da mesma espécie crescendo juntas tão grande é a variedade das espécies. Muitas das árvores são de enorme tamanho e têm os troncos e galhos cobertos de plantas usualmente chamadas parasitas, mas que em geral não são, consistindo de Orquidáceas, Comelináceas, Peperomia, fetos e outras que tiram sua nutrição da umidade da casca e do elemento terroso que se forma dos musgos apodrecidos. [...]." George Gardner (1812-1849). Viagem ao Brasil. 1975, p. 35.
 
 
 
Peperomia metallica.
 L´Illustration horticole. 1892.


sexta-feira, 11 de julho de 2014

Viajantes: Planta interessante.


"Na manhã seguinte, tão logo a última chama da fogueira foi apagada, começamos nossa escalada para a Serra do Curicuriari - a mesma que o botânico Richard Spruce explorou em 1852. Aproximadamente cem anos se passaram desde sua jornada, mas é quase certo que a região não tenha sofrido mudanças desde então, já que um século é apenas um momento na vida de uma montanha tão antiga.
Em nossa próxima viagem pelo rio, chegaríamos até Taracuá (formiga gigante) subindo pelo rio Uaupés, onde teríamos que pegar um barco a motor até Mercés e um avião anfíbio até Taracuá. Eu estava tão impaciente para explorar a região que em minha primeira excursão até um campo próximo encontrei diversas plantas interessantes - uma linda trombeta chinesa branca e amarela, Distictella nagnoliifolia. Essa planta foi vista pela primeira vez pelo naturalista Alexander von Humboldt em sua viagem ao Orinoco, em 1800 e somente foi vista novamente na mesma região por Koch, em 1905. Margaret Mee (1909-1988). Flores da floresta amazônica. 2. ed. 2010, p. 38.
 
 
 
Disticctella magnoliifolia.
 Margaret Mee. Flores da floresta amazônica. 2. ed. 2010.


quinta-feira, 10 de julho de 2014

Viajantes: A vegetação na floresta.


" Fere primeiro a atenção o tamanho das árvores, sua grossura e a altura a que se erguem os troncos sem ramos. Em vez dos poucos musgos e líquens que cobrem o tronco e os galhos das árvores selváticas dos climas temperados, aqui elas se recamam desde a raiz até a extremidade dos menores ramos, com fetos, Aráceas, Tillandsias, Cactáceas, Orquidáceas, Gesneriáceas e outras plantas epífitas. Muitos dos grandes troncos, além disso, são cingidos pelas hastes de Bignonia e arbustos similares, cujos ramos por vezes se engrossam e comprimem a árvore de tal forma, que ela sucumbe ao apertado abraço. [...]." George Gardner (1812-1849). Viagem ao interior do Brasil. 1975, p. 27-28.
 
 
Orquídea. Zygopetalum gautieri.
  Orchid Album,  1882.
 


quarta-feira, 9 de julho de 2014

Viajantes: Pica-pau-de-crista-vermelha.


"A noite é linda e sossegada, entretanto essa tranquilidade parece demasiada. Somente os insetos, relativamente poucos, avivam a campina melancólica. Pela floresta, aos gritos, alguns papagaios que, naturalmente, procuravam os seus ninhos. Vimos dois pica-paus de crista vermelha cor de fogo e, quanto ao resto, parecíamos estar num jardim encantado, onde não  se ouvia um pio e onde os quadrúpedes dormiam. O aspecto das coisas não melhorava, quando às 5 e 30h. demos volta à direita, chegando a um rancho vazio, situado atrás de uma campina, a alguns minutos da floresta". Karl von den Stein (1855-1929). O Brasil central. 1942, p. 116.
 
 
 
 
Pica-pau de cabeça vermelha.
 Spix, J. B. von. Avium species novae (1824).