quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Lendas e Curiosidades: Borboletas



Conta uma lenda que as borboletas nasceram em um domingo.
Quando o Criador do Universo terminou o trabalho da criação, fabricou borboletas para se distrair e descansar. Para este efeito, utilizou-se da aurora, do ardor do meio-dia, do crepúsculo e da luz da noite. De manhã, criou as borboletas amarelas e todas as variantes desse tom; ao meio-dia as azuladas; à tarde as vermelhas e à noite as escuras com as suas luas e as suas constelações. Assim como ornamentou de flores o espaço terrestre, da mesma maneira juncou de seres multicores o espaço aéreo. Flores embaixo, flores em cima. E as flores do ar baixaram sobre as flores da terra, de modo que refletiram a sua magnificência umas sobre as outras; a flor contempla a borboleta e a borboleta a flor, e ambas contraíram uma amizade eterna. FAUNA, ano 2, n. 9, set. 1943, p. 38.
 
 
 
 
Hibiscus mutabilis.
Maria Sibylla Merian (1647-1717).
The Metamorphosis Insectorum.  Blunt, W. & Stearn, W.
  The art of botanical illustration.1995


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Viajantes: Uma sublime paisagem!



"Procuramos um pouso, tomei uma ponta solitária de praia, a que se prolongava entre a torrente vinda do lago e o rebojo do rio, e, aí sentado, pus-me a refletir em muitas coisas, umas sobrevindo às outras e tantas que, se as fora escrever, faria um livro.
Enquanto assim pensava, despontou a lua, e eu não poderei nunca descrever, nem ao menos de longe, a beleza melancólica de toda aquela paisagem, tão deserta, tão grandiosa, e ao mesmo tempo tão serena e tão calma, em tão absoluto silêncio, que se ouviam as pancadas do coração. Aquele leito imenso do rio, o lago, a orla de florestas negras que se estendiam em arco, à minha esquerda; aquele refletir da lua nas águas e na areia branca eram de uma beleza tão melancólica, que, ao mesmo tempo que eu me extasiava contemplando tanta grandeza, meu coração se apertava, como se eu estivesse sob a pressão de uma dor pungente. [...]. Sondei as praias, o lago e aquela parte d o rio, e fi-lo com tristeza, porque me parecia que uma voz me dizia dentro da alma que eu via pela última vez aquela paisagem sublime, que me havia arrebatado, e ante a qual o tempo correra sem que eu sentisse". Couto de Magalhães (1837-1898). Viagem ao Araguaia. 1975, p. 143.
 
 
 
 
Ilustração de C. Fr. von Martius (1794-1868)
Historia Naturalis Palmarum (1823-1850)


sábado, 25 de janeiro de 2014

Viajantes: espécies de Bactris.



"[...]. O sub-bosque, nesta parte da floresta, era formado de plantas mais novas, das mesmas espécies que seus gigantescos vizinhos e de palmeiras de muitas espécies, algumas com vinte a trinta pés de altura, outras pequenas e delicadas, com estipes que não eram mais grossas que um dedo. Estas últimas, várias espécies de Bactris produzem pequenos cachos de frutos negros ou vermelhos, providos, às vezes, de um suco doce, lembrando o da uva. [...]". Henry Walter Bates(1825-1892). O naturalista no Rio Amazonas. 1944, v. 1, p. 80-81.
 
 
 
 
Bactris sp.
C. Fr. von Martius. Historia naturalis palmarum. 1823-1850.
 
 

Bactris sp.
C. Fr. von Martius. Historia naturalis palmarum. 1823-1850.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Viajantes: Surucuás




"Nas moitas pitorescas que cercam as praias arenosas do lago atrás da cidade era muito comum o Trogon de barriga amarela (Trogon viridis). Tem o dorso de um brilhante verde metálico e o peito azul de aço. Os naturais chamam-no surucuá-do-igapó, para distingui-lo da espécie de peito vermelho, que chamam surucuá-da-terra-firme. Vi frequentemente pequenos bandos de meia dúzia de indivíduos calmamente pousados nos ramos mais baixos das árvores. Eles ficam imóveis durante uma ou duas horas, apenas mexendo as cabeças, à espera dos insetos que passavam; ou, o que me parecia mais provável, examinando as árvores próximas, à procura de frutas; quando as descobriam voavam de vez em quando, para agarra-las, voltando ao mesmo poleiro." Henry Walter Bates (1825-1892). O naturalista no Rio Amazonas. 1944, v. 1, p. 285.
 
 
 
 
Surucuá-de-barriga-amarela
Desenho de Antônio Martins. Brasil 500 pássaros. 2000.


sábado, 18 de janeiro de 2014

Reflexões: Um aniversário.



Meu coração é um pássaro canoro
Com o ninho em um broto orvalhado;
Meu coração é uma macieira
Com os ramos pensos pesados de frutas;
Meu coração é um arco-íris
Brincando em um mar sereno;
Meu coração é mais feliz que tudo isso,
Porque meu amor chegou para mim.
 
Ergue-me um dossel de seda e lanugem;
Pendura-o com veiros e corantes purpúreos;
Decora-o com pombas e romãs,
E pavões de centenas de olhos;
Borda-o com uvas de ouro e prata,
Em folhas de prata de flor-de-lis;
Porque o aniversário de minha vida
Chegou, meu amor chegou para mim.
 
Christina Georgina Rossetti (1830-1894)
A Linguagem do Amor. 1988.
 
 
 
 
Pintura de John Gannam (1907-1965).


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Viajantes: Cajueiro



"Nas porções de matas, a atmosfera estava carregada do delicado perfume das flores do cajueiro (Anacardium occidentale) que aí existe em profusão. Era a primeira vez que via esta árvore à distância da costa, mas depois vi que não era incomum no interior. O fruto, porém, ou antes, o grosso pedúnculo que forma a parte comestível, é pequeno, pouco maior que uma cereja. [...]". George Gardner (1812-1849). Viagem ao interior do Brasil. 1975, p. 166.
 
 
 
 
 
Caju.
Ilustração de J. Th.  Descourtilz (1796-1855)


domingo, 12 de janeiro de 2014

Belém do Grão Pará: As mangueiras e laranjeiras de Belém do Pará.




"Uma interessante característica desta cidade é o seu enorme número de laranjeiras. Por isso as laranjas são aqui abundantes e baratas. Muitas das estradas públicas são orladas por essas árvores presentes também em todos os quintais. Os moradores só tem o trabalho de colher as laranjas e levá-las para o mercado.
As mangas também são abundantes. Algumas avenidas públicas são arborizadas com mangueiras, ou paineiras. Estas crescem bem alto; mas, como têm folhas decíduas, não servem para produzir a necessária sombra, coisa que não ocorreria com uma árvore sempre verde." Alfred Russel Wallace. Viagens pelos rios Amazonas e Negro. 1979, p. 22.

 

 
 
Parte da Av. São Jerônimo (atual Gov. José Malcher) com suas mangueiras. 1905.
O MUNICÌPIO de Belém. 1906.

 


 

sábado, 11 de janeiro de 2014

Viajantes: Goiabas.



"A América é opulenta em deliciosos frutos da família das Mirtáceas. As goiabeiras (Psidium) espalhadas nos trópicos do mundo novo, são tão saborosas quanto saudáveis. Acharam-nas os conquistadores espanhóis nas Antilhas, e também em terra firme é muito antigo o seu cultivo entre os primitivos habitantes, razão por que entre outras coisas se diz que os frutos às vezes perdem inteiramente as sementes. Todos esses frutos doces e aromáticos podem ainda ser melhorados por continuado e científico cultivo, assim como as qualidades de frutas das Índias Orientais adquirir, pelo cuidadoso trato, sabor mais apurado e mais perfeitas formas. [...]". J. B. von Spix (1781--1826) & C. Fr. von Martius (1794-1868). Viagem pelo Brasil. 1938, v. 2, p. 54.
 
 
 
 
Goiabas
Ilustração de Marianne North (1830-1890)
kew.org


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Viajantes: Palmeira Miriti.



"Quando se passa por essas ilhas no esplendor da manhã, só se pode sonhar com palmeiras, e falar duma espécie delas. Até onde a vista alcança - e atinge muitas milhas até as ilhas mais próximas, as mais distantes e o continente - até onde se avista a olhos nus ou armados, tudo parece imensurável palmeiral, construído como um templo, de uma só espécie de palmeira.
Tronco apertado contra tronco, em admirável uniformidade de altura e espessura, não cedendo espaço em parte alguma a uma árvore menor, a Mauritia flexuosa - palmeira miriti, ressalta às margens do Pará e do Tocantins". Robert Avé-Lallemant (1812-1884). Viagem pelo Norte do Brasil no ano de 1859. 1961, v. 2, p. 31.
 
 
 
Palmeiras buriti (miriti)
 Desenho de Taunay. Expedição Langsdorff ao Brasil (1821-1829).


domingo, 5 de janeiro de 2014

Viajantes: Árvore notável no bairro da Graça (Bahia).

 
 
"Passeamos antes do almoço através de uma paisagem tão bela que aspirávamos por um poeta ou um pintor a cada passo. Às vezes entrávamos pela floresta selvagem e densa, através dos vãos cheios de arbustos, em seguida surgíamos em claros campos, com coqueiros esparsos, entre os quais se viam casas de campo, granjas e plantações. De cada elevação via-se a baía, o mar, ou o lago, completando o panorama. Aqui e ali a imensa gameleira surgia como uma torre, adornada, além de suas próprias folhas, com inúmeras parasitas, desde o rijo cactos até a tilandsia; a presença constante de uma torre de igreja ou de mosteiro suaviza e enobrece as feições da terra". Maria Graham (1785-1842). Diário de uma viagem ao Brasil 1956, p. 147.
 
 
Árvore do bairro da Graça (Bahia) notável pelos parasitas.
Desenho de Maria Graham de 1821. Diário de uma viagem ao Brasil. 1956.


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Viajantes: Palmeiras Açaí e Miriti nos Furos de Breves - PA.


"Ao longo dos furos de Breves existem aqui e acolá porções de terrenos semelhantes aos de Breves, mas, em geral, as margens do rio são inundadas em cada maré cheia, e as casas espalhadas são construídas em cima de postes, que as elevam acima d´água. Os canais são estreitos, excessivamente profundos e cheios de água lodosa. Em verdade, tanto faz na maré cheia como na vazante, estão sempre entumescidos como se estivessem com uma enchente. - E como é rica a vegetação que os cerca!- Encontra-se aqui trechos de mangues com sua linda e verde folhagem, com suas raízes principais arqueadas, com as pendentes radículas aéreas terminadas em tripeça e, com suas sementes em forma de charutos; acolá o canal é bordado de ambos os lados por paredes de verdura, as pontas dos ramos roçam na superfície d´água na maré cheia e param as lindas balsas de ervas e do mururé de folha larga com suas flores azuis; e mais adiante por muitos quilômetros temos em frente as majestosas Miritis, com suas soberbas palmas em forma de leque, com suas folhas mortas, amarelas e pendentes e sustentando seus pesados cachos de frutos escamosos. Aqui e ali os graciosos e delgados pés de palmeiras Açaí erguem aos raios do sol as delicadas e verdes frondes, que balançam-se, semelhantes franjas, entre as largas folhas da Miriti. [...]". Charles. F. Hartt (1840-1878). A região de Breves. Boletim do Museu Paraense de Historia Natural e Ethnographia, Belém, v. 2, n. 1-4, 1897-1898, p. 174-175.
 
 
 
 
Palmeiras Miriti e Açaí
Ilustração de Eron Teixeira